Para você, que chegou ao topo — e ainda não conseguiu assinar embaixo.
Eu sei onde você está. Não no mapa: por dentro.
Você fez uma coisa grande. O fato está aí — simples, concreto, seu. Qualquer pessoa olhando de fora consegue ver. Menos você. Porque aí dentro tem uma voz miúda e insistente perguntando se aquilo basta. Eu conheço essa voz. Ela subiu uma montanha comigo.
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Quando cheguei ao cume do Kilimanjaro, depois de atravessar o mundo e colocar um pé na frente do outro durante dias, qualquer pessoa veria uma mulher no topo. Eu, olhando de dentro, ainda escutava a insegurança, a cobrança extra, o medo de ser imperfeita — perguntando se aquilo bastava.
Então deixa eu te dizer o que eu precisava ter ouvido naquele dia, e demorei demais para me dizer:
Separa a cena em três. O fato: você chegou. O pensamento: aquele que insiste que ainda não basta. A emoção: o medo de não corresponder. Vistos assim, separados, eles perdem a autoridade de decreto. O fato fica de pé. O pensamento vira o que sempre foi: um evento mental, não um veredito.
E quando a sua cabeça decretar de novo, troca a frase. Em vez de "não fiz o suficiente", experimenta: "estou tendo o pensamento de que não fiz o suficiente". Uma frase de diferença. Um mundo de diferença.
Se você não sabe em que confiar quando não confia em si, olha o seu próprio histórico de recomeços. O meu dizia: você aguenta o que vier. A voz discordava. O histórico estava certo. O seu também está.
Ser imperfeita é o mais incrível. É a minha condição — e a sua. Cada um de nós é imperfeito do seu próprio jeito, e é exatamente nesse jeito que mora o que temos de mais nosso.
Eu passei anos negociando crédito com uma juíza interna que nunca daria a sentença a meu favor. Quando a destituí do cargo, sobrou uma mulher no topo de uma montanha. Tinha sido eu o tempo todo.
É você. O tempo todo. A conquista já é sua — só falta você recebê-la.